2001/2010

OBRAS E CONCEITOS |
mp3
1986

VYCIO

Experimentos sobreviventes
1988

MUZYKA


Primeiro estudo para a Ópera.
1996

BCN


Praia do Canto no Mediterrâneo.
2001/2003

NENNA

Primeiro cd comercializado.
A música e eu
Nenna / depoimento ao projeto TARU, 2003.

"Autêntico som da indolência praieira capixaba, modal, prazenteiro, elaborada por bons músicos, identificados com a fusão free-samba-jazz-rock. Classe A. Neste CD Nenna percorre seus caminhos incandescentes, suavemente. Uma brasa viva !"[Rogério Coimbra]

"O resultado é surpreendente. Poderia, na boa, estar embalando os lounges mais hypes dos "centros ditadores de tendências"[Thaiz Sabbagh / A Gazeta - ES, 23/05/03 ]



O fato de ter sido identificado inicialmente como "artista plástico", deixou a área musical em segundo, ou terceiro, ou décimo plano, perante a mídia e público. Mas tenho alguma vivência na área.

Na infância, neto de maestro, ouvia minha mãe cantarolar - no dia a dia - músicas de Pixinguinha, gravações de Elizeth Cardoso, Altemar Dutra... ao mesmo tempo tomava contato com a Bossa Nova, o rock, Villa-Lobos... e me iniciava ao violão com o maestro Maurício de Oliveira. Na sequência juvenil participei de banda cover, como baterista, e comecei a me interessar por músicas fora do padrão comum de audição popularizado. A audioteca do Ibeuv, curso pioneiro de inglês no estado, me permitiu ter acesso a obras de Cage, Varése, Berio e outros pioneiros das gravações vanguardistas de origem erudita. Na época mantinha diálogos sobre o assunto principalmente com o fotógrafo Sagrilo e o hoje professor da Ufes, Marcos Moraes.

Sempre gostei de embalar minha vida com "trilha sonora original". Por isto desenvolvi uma amizade consistente com todos os músicos que considerava geniais em Vitória. Aprigio Lyrio, Os Mamíferos, Maurício, Natércia, Datan Coelho... e no início dos anos setenta já comecei a compor. Normalmente só, mas também algumas poucas parcerias: Arlindo Castro, Chico Lessa, Antonio Adolfo... A parceria com Antonio Adolfo chegou a ser ensaiada com orquestra e tudo para apresentação no Fantástico. Cantada por Jorge Benjor. O porque de não ter ido ao ar, comentou-se na época, teria sido pressão da indústria farmacêutica. A letra falava de Ruschi, na época sendo tratado por um "pajé" da tribo do Raoni...

Nos anos 80, sem saber o que fazer da vida, após pedir demissão da Rede Globo, onde trabalhava como produtor executivo, voltei a Vitória e montei a banda "Vycio", com Chryso Rocha na guitarra, Jorge Simpson na bateria, um primo do Chryso no sax, mais um outro músico que tinha chegado da América com um teclado e Norberto no baixo. Tocávamos uma espécie de samba com atitude punk e pitadas de hardcore e James Brown. Foram umas três apresentações no Circo da Cultura. E o vício acabou e continuei com meus experimentos eletrônicos. Ainda sem computador...

Nesta época já estava elaborando o projeto da "Ópera" e aproveitei o aparecimento do primeiro estúdio eficiente em Vitória, o Scalla de Armando Sinkovitch, para gravar, em 1988, a primeria versão da "Muzyka". Totalmente eletrônica, mas ainda "analógica". Depois, com Jorge Pombo nas cordas, gravei "Assalto ao Villa" que virou tema original do vídeo "Moda", de Sáskia Sá, lançado em 1993.

Em 1995 e 96, realizei uma série de sessões com a finalidade de montar um acervo de "samplers originais". Jamais me imaginei trabalhando com material de outros autores, por mais que algumas vezes tivesse sentido vontade. Conduzi as gravações com pequenas indicações rítmicas, temas melódicos básicos e poesia. E os músicos desenvolviam com liberdade e invenção: Afonso Abreu - baixo acústico, Marco Antonio Grijó - bateria. Depois Mario Ruy - guitarra. E, finalmente, Colibri - sax e Natercia - voz. Tudo no estúdio P&A, na Praia do Canto. Na mesma época andei gravando no Studi 84, em Barcelona, na Catalunha, com a cantora Victoria. Utilizei as bases gravadas na Praia do Canto com as poesias traduzidas para o catalão. Mas as gravações espanholas não foram incluídas no cd atual.

Encalhado - numa boa - na Barra do Jucu, comecei a procurar uma base estética para montar este material. Utilizando o meu bravo note "Toshiba", na tranquilidade marota do lugar, cheguei à edição que colocamos à audição pública. Sem pretensões significativas quanto a vendagem, mas consciente de ter realizado uma obra fonográfica representativa dos meus valores estéticos e preocupações intelectuais.

Ah, tem a perseguição do Tom Jobim e Villa-Lobos. Mas já ando esquecendo...

Barra do Jucu / Praia do Canto, 2003


FICHA TÉCNICA:
Nenna - eletrônicos, conceitos e edição | Afonso Abreu - baixo acústico | Colibri - sax| Jorge Pombo - cordas | Marco Antonio Grijó - bateria | Mario Ruy - guitarra | Natércia Lopes- voz
Gravado nos estúdios Scalla e P&A, entre 1988 e 1996. | Editado por Nenna, 2001/02 | Masterizado no estúdio NovaArte, por TourCo, 2003. | Produzido por Juranda Alegro / projeto TARU.
Lançamento: sêlo "ILHA ENTRETENIMENTO":Disponível à partir do próximo dia 3 de novembro - segunda - em Vitória, Rio, São Paulo, Ouro Preto e Brasília. E também no site www.laserdiscos.com.br

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