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1970/2010 |
OBRAS E CONCEITOS |
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A GAZETA 01 de dezembro de 2005 [Caderno Dois]
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[ foto Nenna. ] VANGUARDA NENNA TRABALHA COM ARTE CONTEMPORÂNEA DESDE 1970 | Nenna vira o Brasil de ponta-cabeça texto Caê Guimarães Instalação que o artista exibe hoje ao público leva à reflexão sobre a cultura brasileira Atílio Gomes, Nenna B ou Nenna? Artista plástico, agitador cultural, escritor, roteirista, videasta? Pode ser todos os nomes e funções na mesma pessoa, um homem inquieto que transita pelo mundo da arte capixaba desde 1970, e segue refletindo e questionando seu tempo, conjugado sempre no presente. Nenna, nome artístico adotado pelo capixaba Atílio Gomes, foi um dos responsáveis pela introdução do conceito de arte contemporânea no Espírito Santo. A instalação do estilingue gigante que fez na Praia do Canto, no inverno de 1970, foi reverenciada por figuras do vulto de Hélio Oiticica. De lá para cá, ele transitou por instalações e vídeos e lanço os livros “Vereda Tropicália”, em 1985, que mesclava poesia com roteiro , e “Bíblia”, de 2004, com uma retrospectiva de sua obra. Agora ele lança a exposição individual “Brasil”, que será aberta hoje, às 20h, na Galeria Homero Massena, em Vitória. O projeto desenvolvido para a instalação é chamado por Nenna de “eletro-pajelança cósmica por um braseiro utópico e viável, sem fé nem esperança”. Velório. A obra traz a foto do velório de um dos baluartes da cultura brasileira do século XX (que será mantido em segredo a pedido do artista) com intervenções de estruturas de vidro e água. “Eu estava no Rio no dia do seu enterro, fiz a foto e agora, 11 anos depois, ele ressurge no contexto de minha proposta, porque o que ele disse ainda ressoa.” A professora e pesquisadora da Ufes Almerinda Lopes Silva defendeu no XIV Encontro Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, em outubro último, na Universidade Federal de Goiânia, que Nenna abriu uma lacuna abissal no processo de formação da mentalidade artística capixaba. Segundo ela, a ruptura com a tradição ou a atualização artística não se impôs no Espírito Santo como necessidade defendida e capitulada por um grupo coeso de artistas, mas pela vontade solitária dele, então um jovem na década de 70 que aspirava à condição de se tornar um criador em perfeita sintonia com o seu tempo cultural e histórico. E, pelo visto, se tornou. A carreira de Nenna entrou em rota de colisão com seus conceitos num conflito por ele declarado com as artes plásticas em meados da década de 80, quando residiu e atuou no Rio de Janeiro, contratado pela galeria Paulo Klabin. “Nessa época, os críticos de arte perderam a vez para os galeristas, e o diálogo foi ficando cada vez mais difícil.” Ele pondera que aos poucos esse diálogo do artista está passando para os curadores, o que representa uma uma interlocução menos limitadora para quem cria. Ao voltar para Vitória, na metade dos anos 80, ele se deparou com o movimento “Balão Mágico”, que, segundo ele, produziu coisas mais interessantes do que as que ele via no Rio feitas pela chamada “Geração 80.” Apesar do afastamento, desde 2003 ele administra um retorno sem urgência, desenvolvendo novas possibilidades e incorporando novos conceitos ao seu trabalho, sempre pensando o tempo presente, suas dicotomias, incoerências e pontos de fuga. Vá lá - “Brasil”, de Nenna. Abertura hoje, às 20 horas, na Galeria Homero Massena, Rua Pedro Palácios, Cidade Alta, Centro, Vitória. 9270 3132-8395. Até 22 de fevereiro. imprimir | |