1970/2010

OBRAS E CONCEITOS |



A GAZETA
04 junho 2003
[Caderno Dois]



Os textos foram digitados sem qualquer correção ortográfica ou de conteúdo.

Comentários posteriores e correções estão assinaladas em vermelho.




| Fim e recomeço

O Museu de Arte do Espírito Santo abre as portas para resgatar a trajetória do multimídia Nenna

Andréa Pena

Atílio Gomes Ferreira “esvaziou” seu cérebro, como quem faz um back up de arquivo de computador, e transformou o conteúdo produzido entre 1970 e 2001 num livro que será lançado amanhã à noite. “Bíblia” tem design gráfico de Herbert Pablo em parceria com o autor, mais conhecido como Nenna, apelido roubado do irmão mais novo.

É bem verdade que o artista plástico, compositor e “primeiro multimídia capixaba”, como ficou conhecido, reza segundo sua própria cartilha. Mas o nome do livro é bem menos pretencioso do que pode parecer. “A etimologia da palavra bíblia significa coleção de livros”, defende-se.

A publicação que será lançada no Museu de Arte do Espírito Santo (Maes), é um panorama de sua produção, começando pelo “Estilingue Gigante”. A instalação realizada na residencial Praia do Canto de 1970, projetou o artista capixaba para o Brasil numa época em que Vitória não possuía galeria de arte.

A partir daí, ele, na flor dos seus 18 anos, estabeleceu contatos com profissionais consagrados do meio e, em 1973, embarcou para Nova York. “Voltei de lá com uma visão diferente, pois, naquela época, era mais difícil sair do Brasil. Deixei de ver a cultura americana do ponto de vista de um assistente de cinema e voltei com uma relação muito mais forte com os trópicos, com o Brasil, minha cidade, minha cultura”, recorda-se.

No início dos anos 80, Nenna vai para o Rio, trabalhar como produtor na Rede Globo de Televisão e faz pinturas por encomenda do marchand Paulo Klabin. A definição dessa produção, segundo o próprio autor, é algo que bateu de frente com o movimento da geração 80. “Tinha influência do neoconcretismo, por causa dos meus amigos cariocas Ligia Clarck e Lygia Pape, e da bossa nova, que sempre esteve sintonizada com a minha vida”, teoriza.

Já a libertação das formas cubistas, Nenna credita a Matisse, que desencadeou seus recortes “decorativos”. “Minha obra é tão consistente do ponto de vista filosófico que eu me dou o direito de dizer que as minhas pinturas são decorativas. São feitas para você achar bonito quando olhar, como fazem os índios marajós. Se eu quiser brigar com alguém, utilizo outros meios”, dispara.

imprimir |